• O que é Literatura?

    O que é Literatura?

    A literatura, como manifestação artística, tem por finalidade recriar a realidade a partir da visão de determinado autor (o artista), com base em seus sentimentos, seus pontos de vista e suas técnicas narrativas. O que difere a literatura das outras manifestações é a matéria-prima: a palavra que transforma a linguagem utilizada e seus meios de expressão. Porém, não se pode pensar ingenuamente que literatura é um “texto” publicado em um “livro”, porque sabemos que nem todo texto e nem todo livro publicado são de caráter literário.

    Logo, o que definiria um texto “literário” de outro que não possui essa característica? Essa é uma questão que ainda gera discussão em diversos meios, pois não há um critério formal para definir a literatura a não ser quando contrastada com as demais manifestações artísticas (evidenciando sua matéria-prima e o meio de divulgação) e textuais (evidenciando um texto literário de outro não literário). Segundo José de Nicola (1998:24), o que torna um texto literário é a função poética da linguagem que “ocorre quando a intenção do emissor está voltada para a própria mensagem, com as palavras carregadas de significado.” Além disso, Nicola enfatiza que não apenas o aspecto formal é significativo na composição de uma obra literária, como também o seu conteúdo.

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    arte literária pode ser considerada a partir da leitura e da análise de textos verbais, orais ou escritos. Sejam eles ficcionais, sejam verídicos, os textos têm o poder de provocar diferentes efeitos de sentido nos leitores/ouvintes: alegria, tristeza, diversão, emoção etc. Isso porque a Literatura permite-nos sair do mundo real e chegar ao mundo da fantasia.

    Como qualquer arte, a Literatura não tem o poder de modificar a realidade, mas é capaz de registrá-la e de fazer com que os leitores/ouvintes reavaliem a própria vida e seus comportamentos. Isso significa que a Literatura, ao mesmo tempo que provoca a reflexão, responde a algumas de nossas inquietações por meio de construções simbólicas.

    Com a leitura de textos literários, entramos em contato com nossa história e, assim, temos a chance de compreender melhor o presente, o passado e o futuro. Os leitores interagem com aquilo que leem (tomam nota, refletem, criticam, emocionam-se etc.) e isso faz com que as experiências de leitura evoquem vivências pessoais e proporcionem-lhes a reflexão sobre a própria identidade, (re)construindo-a.

    Podemos afirmar que a essência da arte literária está nas palavras, as quais são utilizadas pelos escritores a partir de seus potenciais sonoros, sintáticos e semânticos, estabelecendo relações contínuas entre autores e leitores/ouvintes. O trabalho com as palavras pode ser realizado com sentido denotativo ou conotativo/figurado, sendo essa a característica essencial da linguagem literária.

    A arte da palavra
    O ser humano está imerso em um universo de palavras, frases e de solicitações contínuas de comunicação. A vida é dialógica por natureza, e viver significa participar do diálogo: ouvir, questionar, interromper, concordar, responder, etc. Nesse diálogo participamos inteiramente e com toda a nossa vida. O corpo diz muitas coisas aos outros e eles têm muitas coisas a nos dizer. Antes de tudo, nosso corpo é um centro de informações para nós mesmos. A linguagem é o ponto central do ser humano. Assim, segundo Gadamer pode-se dizer que: A linguagem é, pois, o centro do ser humano, quando considerado no âmbito que só ela consegue preencher: o âmbito da convivência humana, o âmbito do entendimento, do consenso crescente tão indispensável à vida humana como o ar que respiramos. Realmente o homem é o ser que possui linguagem segundo a afirmação de Aristóteles. Tudo que é humano deve ser dito entre nós. (2002, p. 182) [1] No âmbito literário, ler um livro é sempre, antes de tudo, um diálogo.

    É um processo de interação que se realiza entre o leitor e autor mediado pelo texto. A leitura de uma obra literária não é um ato solitário como afirmam. É a interação entre indivíduos socialmente determinados: Leitor participa de um contexto sócio-político-econômico, está inserido em uma cultura, têm seus valores éticos, morais e interage com os outros. O autor, por sua vez, também participa de um contexto sócio-político-econômico, está inserido em uma cultura, têm seus valores éticos, morais e também interage com os outros. A leitura é um processo dinâmico. É sempre um diálogo entre o passado e o presente. Um passado que traz luz sobre o presente e um presente que ilumina o passado. Desse modo, o diálogo entre leitor e autor é um processo que envolve compreensão de mundo.

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    Sobre esse assunto Moita Lopes afirma que: [d]este modo, o ato de ler aqui é visto como um processo que envolve tanto informação encontrada na página impressa – um processo perceptivo – quanto a informação que o leitor traz para o texto – seu pré-conhecimento, um processo cognitivo. (1996, p. 138) [2] O diálogo no cenário literário é pura imitação. É o diálogo que imita a vida.

    Na poética, Aristóteles qualifica como “modos de imitação” (mimeses) a poesia, a tragédia, a comédia, a lírica. A temática desse diálogo consiste nas múltiplas experiências dos seres humanos, em suas vivencias. É um diálogo que traz reflexão ao leitor sobre determinada época. Através desse diálogo a vida está sendo imitada no sentido de ser reinterpretada e recriada. Tzvetan Todorov afirma que “genericamente, a arte é uma imitação diferente segundo o material que utiliza; e a literatura é imitação pela linguagem, tal como a pintura é imitação pela imagem”. (1978, p. 15) [3] Mas como a experiência dialógica pode entrar no universo de vida e de experiência dos jovens? Como conduzi-los à literatura sem que tenham aversão aos autores? Os jovens leitores precisam compreender que os temas discutidos nas obras literárias são temas também relacionados a eles. São temas que podem levá-los à reflexão sobre si mesmos.

    Estar sozinho com um livro é ser capaz de conhecer-se. E através da leitura descobrirão que há personagens com problemas iguais ou superiores aos seus. Autores como Lima Barreto, importante escritor brasileiro, denunciou as políticas do Barão do Rio Branco. Na obra Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, o personagem Gonzaga, sempre muito crítico, critica ao Barão do Rio Branco pelo uso do dinheiro público em obras que não atendiam aos interesses e necessidades da população que pagava os impostos. Monteiro Lobato, escritor pré-modernista, publicou uma coletânea de artigos sobre a saúde pública no jornal “O Estado de São Paulo”. Suas divulgações sobre o estado de saúde do povo provocaram grande repercussão na opinião pública, obrigando o governo adotar medidas efetivas e imediatas. Machado de Assis também apontou aspectos negativos do ser humano como ciúmes (Dom Casmurro), os sentimentos exagerados de inveja e de raiva (Verba Testamentária – Conto de papéis avulsos), a denúncia tácita da sociedade, por meio da leve ironia e humor (Memórias Póstumas de Brás Cubas). Além deles, outros muitíssimos escritores viram na literatura oportunidade para expressar os dilemas, sentimentos e muitas vezes a realidade do homem. Dessa forma, a literatura é atual mesmo sendo escrita em épocas distintas.

    O autor leva o leitor à análise de realidades diversas, impulsionando-os ao conhecimento. A literatura proporciona aos jovens conhecimentos sobre os costumes, a cultura, a organização política e social de determinada região, podendo auxiliá-los por meio de textos de ficção que revelam a maneira de ser de uma sociedade. “Dizer que ela (a Literatura) exprime a sociedade, constitui hoje verdadeiro altruísmo” (CANDIDO, 1973, p. 19.) [4] Por exprimir a sociedade, a linguagem literária é mal interpretada. Isso precisa ser desmistificado, pois a essência da literatura está nas palavras. São por meio delas que os escritores e poetas estabelecem relações com seus leitores. A linguagem literária é conotativa, isto é, ela está para além do significado estrito ou literal de uma palavra, frase ou conceito. A linguagem conotativa não se refere diretamente à palavra no sentido exato, mas às sugestões provocadas por ela; figurado, metafórico. Ao dizer a uma pessoa que “meu coração sorriu ao vê-la”, refiro-me que estou muito feliz. A palavra “coração”, nesse contexto, é conotativa, ou seja, sentido figurado. Nesse sentido, a linguagem literária não está fechada em si mesma. Ela passa a ter vida própria, com novas significações. A linguagem passa a ter “sabor”. Enquanto nos textos científicos a linguagem é direta e não permite ambiguidade, a linguagem literária assume novas representações e significados.

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